A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada neste sábado (22) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), gerou forte repercussão no Tocantins. Parlamentares e grupos políticos do Estado se manifestaram publicamente, expondo divergências quanto à decisão.
O deputado federal Vicentinho Júnior (PP) foi um dos primeiros a comentar o caso. Em nota divulgada nas redes sociais, o parlamentar criticou a atuação do STF e demonstrou preocupação com as condições de saúde de Bolsonaro.
Segundo ele, a decisão desconsidera fatores essenciais:
“Tirar um homem de 70 anos da sua casa, desconsiderando seu grave estado de saúde e ignorando todos os apelos provenientes das mais diversas fontes e evidências, além de irresponsável, atenta contra o princípio da dignidade humana.”
Na mesma linha, o senador Eduardo Gomes (PL), presidente estadual da legenda de Bolsonaro, também manifestou indignação. Ele destacou que o ex-presidente sempre colaborou com o processo judicial, comparecendo a todas as audiências desde seu retorno ao Brasil.
“O presidente Bolsonaro, quando da posse do presidente Lula, encontrava-se nos Estados Unidos e assim permaneceu por alguns meses. Desde o início do processo, não faltou a nenhuma audiência, mesmo diante das dificuldades alegadas pela defesa. Agora, tem decretada uma prisão preventiva dentro de uma prisão domiciliar. É evidente que o meio jurídico, o partido e toda a bancada recebem essa medida com indignação, pois se trata de alguém que está recolhido em casa”, afirmou.
Eduardo Gomes classificou o episódio como motivo de preocupação institucional e defendeu que o caso seja esclarecido rapidamente.
“Estamos falando de um homem que governou o Brasil por quatro anos, concluiu seu mandato sem qualquer intercorrência ou acusação de corrupção, e que agora enfrenta medidas que soam desproporcionais.”
O senador concluiu afirmando que acredita que o país ainda revisitará e reavaliará o papel político de Bolsonaro.
Manifesto do Coletivo SOMOS traz visão oposta
Do outro lado do debate, o Coletivo SOMOS divulgou nota em que apoia a decisão do Supremo e afirma que a prisão preventiva confirma o princípio de que “ninguém está acima da lei”. O grupo reforçou críticas à postura de Bolsonaro durante seu governo, especialmente na condução da pandemia.
Segundo o manifesto, as ações do ex-presidente deixaram marcas profundas no país:
“Enquanto mais de 700 mil famílias choravam seus mortos, ele debochava da dor alheia, atrasava vacinas e propagava desinformação. Cada vida perdida tem uma história interrompida.”
O coletivo também citou indícios recentes que teriam motivado a decisão judicial:
“Diante de novos indícios de fuga e violação de medidas judiciais, a Justiça age para impedir que se repita a velha rotina de mentiras e tumultos.”
Para o grupo, a responsabilização de quem atacou instituições democráticas é fundamental para a reconstrução do país.
“O Brasil merece respirar sem medo. Responsabilizar quem atentou contra o País é memória, reparação e compromisso com o futuro.”
