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Cenário político incerto reforça especulações sobre possível candidatura de Wanderlei Barbosa ao Senado em 2026

O retorno do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) ao comando do Executivo estadual parece cada vez mais improvável. Afastado por decisão judicial no âmbito da Operação Fames-19, que investiga supostas irregularidades na compra de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia da Covid-19, Wanderlei vê o tempo político correr contra si e o cenário se redesenha em torno de um novo projeto eleitoral.

Na Assembleia Legislativa, dois pedidos de impeachment protocolados pelo ex-prefeito e atual vereador de Palmas, Carlos Amastha, seguem sem perspectiva de avanço. Nos bastidores, o consenso é de que o afastamento de 180 dias pode se estender na prática, inviabilizando o retorno do governador ao cargo,  ao menos dentro do prazo útil para reconstruir sua base e retomar o controle político do Estado.

Fontes próximas ao grupo do Republicanos revelam que a avaliação interna já é de que Wanderlei dificilmente retomará o mandato. Em contrapartida, cresce a convicção de que ele deve lançar-se candidato ao Senado em 2026, retomando um plano que havia sido descartado enquanto exercia o governo. “Se ele voltar, renuncia no prazo legal”, afirmou um aliado próximo, reforçando a tese de que a candidatura é uma decisão consolidada,  com ou sem retorno ao Palácio Araguaia.

Apoio e viabilidade eleitoral

Apesar do abalo institucional, Wanderlei ainda é considerado um nome competitivo, com “musculatura política”, capital eleitoral e influência consolidada no interior. Sua eventual candidatura ao Senado é vista por analistas como uma ameaça direta a figuras tradicionais da política tocantinense, que hoje ocupam espaços no tabuleiro de 2026.

Pela legislação eleitoral, Wanderlei precisaria renunciar até 6 de abril de 2026 para concorrer. Mas, com o afastamento judicial em curso e a investigação ainda sem conclusão, o desafio é manter a elegibilidade e reconstruir pontes políticas fora da estrutura oficial do governo.

Estratégia e bastidores

Nos bastidores da Assembleia, aliados do governador afastado já articulam alternativas para garantir uma saída juridicamente segura, evitando qualquer risco de inelegibilidade. Como ele ainda não possui condenação, a hipótese de impeachment perde força e, consequentemente, mantém aberta a porta para sua candidatura.

Enquanto isso, prefeitos e lideranças regionais observam com cautela o desenrolar dos fatos. O governo interino de Laurez Moreira (PSD) ainda não conseguiu consolidar uma base de apoio sólida e enfrenta resistência nos bastidores políticos, especialmente entre os antigos aliados de Wanderlei.

Perspectiva

Diante desse cenário, cresce a leitura de que uma renúncia antecipada de Wanderlei Barbosa , mesmo sem o retorno formal ao cargo, poderia representar uma manobra política estratégica, permitindo-lhe iniciar sua campanha ao Senado com tempo hábil para reorganizar alianças e reconectar-se ao eleitorado.

A operação Fames-19 segue em curso, mas o xadrez político do Tocantins já se move em ritmo de 2026. Entre aliados, a aposta é clara: Wanderlei pode ter perdido o governo, mas ainda não perdeu o jogo político.