O debate sobre a regulamentação dos jogos de azar voltou a ganhar força no Congresso Nacional depois de uma tragédia que impactou diretamente a equipe do deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO). O parlamentar se manifestou publicamente contra os cassinos online e cobrou medidas mais rígidas para coibir a publicidade dessas plataformas após a morte do filho de uma assessora. O jovem tirou a própria vida no último fim de semana em Palmas, após enfrentar dificuldades financeiras decorrentes de dívidas com apostas.
O caso trouxe à tona, mais uma vez, os impactos psicológicos e sociais do vício em jogos de azar, especialmente entre os jovens. Em um discurso emocionado, Ayres destacou a urgência de uma regulamentação mais rígida para evitar que outras famílias passem pela mesma dor.
“Os jogos de azar são uma porta de entrada para a destruição da saúde mental e financeira. O que era um alerta se tornou uma realidade próxima de mim e da minha equipe. Ver uma mãe perder o filho para essa armadilha é devastador”, declarou o deputado.
Ayres também criticou a falta de ações mais firmes para restringir a atuação dessas plataformas no Brasil. Embora as apostas esportivas tenham sido parcialmente regulamentadas, os cassinos online seguem operando sem fiscalização rigorosa, e suas propagandas continuam sendo amplamente veiculadas, muitas vezes promovidas por influenciadores digitais.
Diante do cenário, o parlamentar tem liderado um movimento pela criação de uma CPI dos Jogos de Azar, com o objetivo de investigar possíveis irregularidades envolvendo essas plataformas, incluindo esquemas de lavagem de dinheiro e o impacto da publicidade na disseminação do vício. Segundo ele, a comissão já conta com a maioria das assinaturas necessárias e precisa de apenas 11 adesões para ser formalmente instaurada.
A tragédia reacende o debate sobre os riscos das apostas online e o papel do Estado na regulamentação desse setor, enquanto familiares e especialistas alertam para a necessidade de medidas urgentes para proteger os mais vulneráveis.
