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Cenário político do Tocantins: expectativa em torno do possível retorno de Wanderlei Barbosa ao governo movimenta semana

A semana começa com forte expectativa nos bastidores da política tocantinense. O possível retorno do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) ao Palácio Araguaia, por meio de um habeas corpus impetrado no Supremo Tribunal Federal (STF) na última sexta-feira, 5, pode redefinir o cenário político local. A decisão, aguardada com atenção, tem potencial de alterar os rumos do Executivo estadual e de provocar repercussões profundas nas articulações de poder.

O afastamento de Wanderlei, determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito da Operação Fames-19, abriu uma crise de governabilidade. A investigação apura supostos desvios de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19. Além de Wanderlei, sua esposa, a primeira-dama Karynne Sotero, também foi afastada por seis meses, o que intensificou o desgaste político.

Desde então, o vice-governador Laurez Moreira (PSB) assumiu a gestão e iniciou uma reestruturação administrativa, exonerando todo o primeiro escalão e sinalizando mudanças de estilo e prioridades. Laurez busca imprimir sua marca em um governo que herdou sob circunstâncias excepcionais, o que, para parte da classe política, representa uma oportunidade de reposicionamento.

Do outro lado, a defesa de Wanderlei tenta explorar brechas jurídicas para reverter a decisão do STJ. O principal argumento é de que as cestas básicas investigadas foram adquiridas na gestão do ex-governador Mauro Carlesse, quando Wanderlei ainda ocupava a vice-governadoria e não era ordenador de despesas. Caso o STF acolha essa tese, o retorno do governador afastado pode não apenas restituí-lo ao cargo, mas também fragilizar os movimentos de Laurez, que vinha conquistando espaço político nos últimos dias.

O impasse expõe um Tocantins dividido entre dois projetos de poder. De um lado, o esforço de Laurez Moreira em consolidar sua liderança e reorganizar a máquina pública. De outro, a tentativa de Wanderlei Barbosa de recuperar o comando do Estado e reconstruir sua imagem política em meio a acusações graves.

Independentemente da decisão, o cenário reforça a instabilidade política e mostra como a crise no Executivo tocantinense deve se prolongar, influenciando negociações partidárias e alianças estratégicas em um período pré-eleitoral que já exige definições.