A Polícia Federal solicitou ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação por mais 60 dias das investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A informação foi divulgada nesta segunda-feira (1º) em reportagem da Folha de S. Paulo.
O inquérito, que tramita sob sigilo, passou a ser tratado como mais sofisticado e abrangente do que se imaginava no início. Segundo a PF, as apurações indicam a existência de uma rede estruturada que envolveria lobistas, desembargadores do Mato Grosso, ex-servidores de quatro gabinetes do STJ, advogados, empresários do agronegócio, operadores financeiros e agentes do Judiciário.
O que antes era visto como casos isolados de troca de minutas de decisões passou a ser considerado um sistema organizado de influência e favorecimento. Em documento encaminhado ao STF, a PF informou que a análise de movimentações financeiras revelou novos indícios que ampliaram o alcance das apurações.
O Tocantins também foi diretamente atingido pelas investigações. O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Republicanos), chegou a ser afastado do cargo e preso em uma das fases da Operação Sisamnes, sob suspeita de obter informações sigilosas do STJ para fortalecer sua rede de influência política no estado.
Deflagrada em novembro de 2024, a Operação Sisamnes foi autorizada por Zanin e teve ações no Distrito Federal, Mato Grosso, Pernambuco e Tocantins. Ao todo, foram cumpridos 24 mandados — 23 de busca e apreensão e um de prisão preventiva.
Além da suposta comercialização de decisões judiciais, a PF também apura o vazamento de informações sigilosas sobre investigações em andamento, o que poderia comprometer operações policiais. Os crimes investigados incluem corrupção, organização criminosa, exploração de prestígio e violação de sigilo funcional.
