Na manhã desta quinta-feira (29), uma operação de grande porte foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/TO) para desarticular uma poderosa organização criminosa envolvida no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro. A Operação Serra Gerais mobilizou cerca de 200 policiais e cumpriu 15 mandados de prisão temporária e 35 de busca e apreensão em sete estados.
As ações ocorreram simultaneamente no Tocantins, Goiás, Maranhão, São Paulo, Pará, Bahia e no Distrito Federal. Além das prisões e buscas, foram executadas medidas de bloqueio e sequestro de bens que somam R$ 64 milhões, incluindo fazendas, caminhões, veículos de luxo, aeronaves e embarcações.
Fazendas usadas como base do tráfico
O grupo mantinha uma estrutura logística complexa, com fazendas em áreas remotas usadas para o pouso de aeronaves carregadas com drogas. Eles construíram pistas clandestinas em regiões isoladas. Cada voo podia transportar até 500 kg de cocaína, com valor estimado em mais de R$ 15 milhões por carga.
“A organização atuava com forte aparato logístico, utilizando fazendas em regiões isoladas para construir pistas de pouso clandestinas, com capacidade para receber aeronaves de pequeno porte carregadas com entorpecentes. Conseguimos identificar a movimentação milionária e o uso de empresas de fachada voltadas à lavagem de dinheiro, evidenciando a atividade criminosa”, afirmou o delegado de Polícia Civil, Evaldo Gomes.
Prisão e apreensão de avião e combustível
As investigações começaram em abril deste ano, após abordagem da Polícia Militar no posto fiscal de Novo Jardim (TO), onde dois suspeitos de Goiás foram flagrados transportando 1.000 litros de combustível de aviação. O material seria usado para abastecer uma aeronave a serviço do tráfico, em uma fazenda no interior de Almas (TO).
Com os suspeitos, foram apreendidos uma caminhonete, um drone, equipamentos de alto valor e o próprio combustível. Um deles, com passagens por tráfico, roubo e porte ilegal de arma, foi preso por mandado em aberto.
Esquema de lavagem de dinheiro milionário
Durante a investigação, a FICCO identificou um esquema de lavagem de dinheiro operado por empresas de fachada, usadas para movimentar recursos do tráfico. Em apenas oito meses, foram rastreados cerca de R$ 70 milhões em transações suspeitas, com o envolvimento de uma instituição financeira utilizada por uma facção criminosa.
Atuação integrada
A FICCO/TO é formada por agentes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal do Tocantins, e atua no combate a organizações criminosas de alta periculosidade. A Operação Serra Gerais tem como foco quebrar a logística do narcotráfico que liga o Tocantins a outros estados por terra e ar.
Os investigados devem responder por organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Fonte: Diário da República
