A Câmara Municipal de Palmas foi palco, na manhã de quinta-feira (24), de uma audiência pública dedicada ao fortalecimento do movimento da capoeira na Capital. O encontro reuniu mestres, representantes de grupos e autoridades para discutir políticas públicas de valorização dessa manifestação que é, ao mesmo tempo, cultural, histórica e social.
A audiência começou com a fala do Mestre Raphael Alves Vieira da Silva, o Mestre Cego, que apresentou sua dissertação de mestrado intitulada “Entre a pena e o berimbau: caminhos para o reconhecimento do caráter educacional e formativo da capoeira no Tocantins”. Em sua fala, ele destacou o percurso histórico da capoeira, desde sua criminalização no século XIX até o reconhecimento como Patrimônio Cultural. “Ainda existe muito preconceito e resistência com a capoeira. Enquanto esportes olímpicos ganham visibilidade e apoio, a capoeira segue sendo marginalizada”, pontuou.
Representando o Executivo municipal, o secretário extraordinário de Igualdade Racial e Direitos Humanos, José Eduardo Azevedo, anunciou a criação do projeto Palmas – Capital da Capoeira. “Essa proposta nasce do diálogo com os grupos, com visitas e escuta ativa. Vamos buscar recursos para aquisição de materiais, apoio a eventos e outras demandas que façam a capoeira ocupar o lugar que merece na cidade”, afirmou.
A co-vereadora Luciene Oliveira, do Coletivo Somos, reforçou a importância do momento como ponto de partida para um trabalho contínuo. “A capoeira nasce da dor, mas também é resistência. É luta, formação de caráter, mobilidade social e transformação de vidas”, destacou.
A audiência teve ainda momentos de música, roda e apresentações dos grupos de capoeira da Capital. Participaram também representantes das áreas de Cultura, Igualdade Racial, Patrimônio Histórico e Defensoria Pública.
Por: Ascom
